O Texto que vem a seguir, foi produzido por volta de 1993, quando estudava Filosofia na UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz. Algumas pessoas o leram e acharam interessante, até sugeriram sua postagem aqui, o que faço prontamente.
QUEM SOU EU?
Não sei se sou alguma coisa, pois ser é ser o que é e não ser o que não é. Se eu fosse algo, seria para sempre e nunca deixaria de ser. Isto significa que eu seria eterno, sem princípio e sem fim de existência. Mas eu sei que tive um princípio, um começo; logo, não sou eterno, portanto, não sou.
Mas sei que existo. Disso me dão conta o calor que sinto enquanto escrevo estas linhas, a razão que me permite fazer este discurso, o sentimento que nutro (ao qual denomino amor) por meus filhos e minha esposa que agora dormem… o sono que nesse exato momento me convida à cama, e o sentimento de responsabilidade para com meu aprendizado e para com o professor que me “receitou” esse “dever de casa”.
Nesse existir percebo duas realidades unificadas em mim, uma interior e outra exterior. A exterior é o meu corpo com o qual irrompo no tempo e no espaço e me comunico com as demais realidades exteriores. A interior são meus sentimentos, meus desejos, minhas crenças e meus pensamentos. Talvez o meu ser seja essa realidade interior. Mas se elas parecem ser alguma coisa, logo mudam, e já não são aquilo que pareceram ser; portanto, não é, pois o que é, é e nunca deixa de ser o que é.
E, assim, sei que existo em duas dimensões, uma corpórea e outra incorpórea. À esta eu chamo espírito. A união desses dois entes é que me dá consciência de minha existência. Se o meu ente espiritual abandona, não posso me dar conta da existência. Tenho exemplo disso no sono. Enquanto durmo, não me dou conta de nada, a menos que sonhe. Assim, sei que sou algo: indiviso, um espírito corporificado e um corpo espiritualizado.
Se existo e tive um princípio, deve existir uma causa que originou o princípio de minha existência, não a existência corpórea apenas, mas a existência do indiviso (corpo e espírito) que sou. Esta causa deve ser imutável, eterna, inteligentíssima e eficiente, pois, do contrário, como poderia dar origem a existência do indiviso? Logo, essa causa é o Ser, que foi, é e será, e nunca deixa de ser; nem o tempo, nem o espaço alteram-lhe o que é. A esta causa eu chamo Deus.
Assim, sei que sou indiviso, indivíduo criado por Deus, sou criação divina. Ainda que eu tenha títulos de servo, filho, pai, profissional, estudante, mortal, humano, herdeiro, etc., não perderei esta distinção: criatura de Deus. Ainda que meus sentimentos mudem e me abandonem, ainda que meu corpo morra e se desfaça no pó, ainda que eu tenha sido regenerado, ainda assim, não deixarei de ser criatura de Deus.
Sim, sou criatura de Deus, feito por Ele e para Ele. Deu-me Ele razão para que possa conhecê-lo; sentimento para que, conhecendo-o, possa amá-lo; vontade para que o possa buscar; e liberdade para que essa busca seja espontânea, por amor, simplesmente.
A existência, talvez a própria vida, ainda é um enigma para muita gente. Lamentável é perceber quanto valor se dá à banalidades e quanto se banaliza algo tão valioso quanto à própria existência.
Seu texto, José Lima, é um bom exercício de raciocínio, parabéns!
Por: Josan em 26/04/2011
às 5:02 pm
De fato aquele que é sempre foi e sempre sera,(em qualquer dimensão de tempo ou espaço), o que não é nosso caso, ainda que tenhamos vida eterna, nossa existência teve um comesso.
Texto exelente, pois nos arremente a verdadeira conciensia que somos finitos, (criatura), e temos Nele um Ser infinito, (o criador).
Por: Bonieque Apio em 19/05/2011
às 4:04 am